quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Nova Visão - Beethoven e a Sinfonia n.2



----------------------------------A HISTÓRIA----------------------------------
COMPOSITOR
Ludwig van Beethoven (1770 – 1827) nasceu na Alemanha e desde cedo teve aulas de música com seu pai. A vida de Beethoven não foi nada fácil, e quando jovem, tinha que fazer o papel de “responsável” da família. Como sua mãe morreu de Tuberculose quando ele tinha apenas 16 anos, e seu pai era alcoólatra, o compositor recebia metade do salário de seu pai para praticamente “criar” e cuidar de seus dois irmão mais jovens.



Muitos musicólogos dividem sua vida em três fases:

1ª Fase (1792 - 1802) – Em 1792 Haydn conheceu algumas obras de Beethoven, e encantado, o chamou para estudar seriamente com ele. (o que contribuiu para formar o estilo de Beethoven). Dois anos depois de começar as aulas com Haydn, Beethoven começou sua carreira séria como compositor e virtuoso pianista. Os trabalhos de Beethoven desse período eram baseados em modelos do classicismo e em geral caracterizadas pelo “frescor” juvenil, e brilho virtuosístico. (Suas obras mais características foram a Sinfonias n.1 e n.2 e o Concertos para Piano n.1 e n.2 e a "despreocupada" e divertida Sonata para Piano e Violino n.5“a primavera”).

Quando Beethoven deu-se conta de sua crescente surdez (1800+-), ele passou a isolar-se e ser “anti-social”, tratando as pessoas muito mal (maneira de defender-se para que seus inimigos não percebessem sua perda auditiva). Devido também às diversas dificuldades pessoais (romances que falhavam, e uma luta para ficar com a custódia de seu sobrinho, Karl) ele ficou extremamente desesperado e deprimido e redigiu em Heiligenstadt seu testamento, onde ele estava decidido a suicidar-se!! Por sorte, ele desistiu de suicidar-se e disse: “Foi a arte, e só a arte, que me salvou”.

2ª Fase (1802 - 1816)– Esse período considerado como “plena maturidade”, começou quando ele estava passando por diversas crises emocionais pessoais (Sua surdez aumentava, tinha problemas amorosos etc...) e tem como conseqüência obras muito mais revolucionárias e heróicas, que fez o “vocabulário” da música da época expandir-se profundamente. (Suas obras mais características foram a Sinfonia n.5, o Concerto para piano n.5,o Concerto Triplo Op.56, o Concerto para Violino Op.61 e sua única ópera: Fidelio)

Ps: O compositor chegou a ficar tão deprimido que ficou um período sem compor absolutamente nada (1811 - 1817)


3ª Fase (1816 - 1827)– Caracterizado pela sua surdez definitiva e agravamento de sua doença prolongada, essa fase o faz retirar-se totalmente à solidão elaborando uma música completamente diferente, abstrata e interiorizada. A sua música (cheio de elementos contrapontísticos e variações avançados com formas mais livres) é intelectualmente muito mais profunda, intensa e chega a ser tão inovadora e particular que a linguagem musical da época foi transformada, que a morte de Beehthoven marcou o fim do Classicismo e o começo de uma nova "era": O Romantismo
(Suas obras mais características foram o Quarteto em Do# menor de 7 movimentos e a sua famosa 9ª Sinfonia).
"Beethoven was humanity´s greatest mind altogether" (Hans Keller)

CURIOSIDADES
-Como exímio pianista, Beethoven transformou as sonatas de piano "formalizadas" (música de corte) para uma música para palco/de concerto muito mais livre.

-Beethovem, em particular, teve uma carreira na qual recusava-se ser "sustentado" pela igreja ou corte, e prefiria ser acudido por doações, mecenas, encomendas da aristocracia e pelo dinheiro ganho em suas aulas e composições (Esse foi um decisivo fator que fez com que Beethoven tivesse uma maior liberdade de expressão, resultando em uma drástica transformação da música do sec. XIX).

- Você sabia que a precursora da tradição da "música programática" (descritiva) nasceu com foi a Sinfonia n.6 "Pastoral" de Beethoven?

-Beethoven inspirou tanto seus contemporâneos mais conservadores como Brahms (fundamentalmente dento dos limites da forma clássica) quanto os mais radicais como Wagner.

-Quando W.A.Mozart ouviu o jovem Beethoven ao piano, ele disse: "A música desse garoto vai forçar o mundo a ouvi-lo"?

-Não existe nenhum "acordo geral" sobre a causa exata da morte de Beethoven, mas pesquisas "recentes" feitas em um fio de cabelo do compositor (retirado um dia após sua morte) e um pedaço de seu cranio comprovaram que a intoxicação por chumbo pode ter contribuído para agravar sua doença e até ter causado sua morte! (A origem da intoxicação por chumbo é desconhecida mas acredita-se que pode ter sido causado por um peixe contaminado)
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Mov. 1 (1 de 2)
Mov. 1 (2 de 2)
Mov. 2
Mov. 3 e 4
---------------------------------A MÚSICA---------------------------------
Sinfonia n.2 em Ré Maior (Op.36)

Beethoven começou a trabalhar em sua 2ª Sinfonia no começo de 1800, e continuou a esboçá-la ao longo de 1801 e início de 1802 na cidade rural alemã de Heiligenstadt (perto de Viena). Os últimos retoques dessa sinfonia foram feitas quando o compositor já estava profundamente envolvido na composição da 3ª Sinfonia.

É curioso que no momento da composição de sua 2ª sinfonia, o compositor escreveu o famoso “testamento de Heiligensdadt” para seus irmãos, onde ele previa sua morte, cheio de desespero e angústia (ele tinha recebido o diagnóstico do médico que sua surdez era incurável e irreversível) e pensou até em suicidar-se mas desistiu. “Foi a arte, e só a arte, que me salvou” (Beethoven).

O que continua um mistério para os musicólogos é que por mais que Beethoven estivesse angustiado e depressivo, nada transparece na sua Sinfonia e ao invés de uma obra depressiva temos uma explosão de vigor e vivacidade. Berlioz chegou a dizer que a Sinfonia n.2 de Beethoven era “a descrição de uma inocente felicidade ligeiramente obscurecida por uns poucos acentos melancólicos”.

Ela é a última obra da 1ª fase do compositor e apesar de não ter o vigor de sua 3ª Sinfonia “heróica”, ele já dá um salto muito além da Primeira Sinfonia (em relação a ação da dinâmica e dramatização das idéias) e o que hoje pode parecer “normal para nós”, foi um choque para o público do sec. XIX. Todos estavam acostumados a ouvir obras de Mozart e Haydn, e os acordes violentos da obra com sua grandiosidade foi o ponto de partida para caminhos musicais nunca antes explorados.

A sinfonia foi estreada em Viena em 1803, juntamente com o 3º concerto de piano e um Oratório novo e como é de se imaginar (todos "acostumados" com a música "bonitinha" de Mozart e Haydn), as críticas deram adjetivos pejorativos à obra: “difícil”, "tumultuada", "colossal”(no sentido negativo) e até chamaram-a de “bizarra” (Eles não imaginavam o que estava por vir com a revolucionária 3ª Sinfonia "Heróica", dois anos mais tarde). Repare nas críticas abaixo, a diferença de pensamento...tudo isso em menos de 10 anos.

“Ela é uma obra estranha, colossal, de uma profundidade, força e erudição artística como poucas outras” (1804)
“Por que queremos esperar do compositor (...) que ele fique preso às formas tradicionais, seja sempre lisonjeiro aos ouvidos, nunca nos abale e enalteça o habitual, mesmo que seja algo violento?” (1812)


Beethoven fez inovações marcantes, em apenas 20 anos, que nenhum compositor da música do período barroco ou clássico jamais conseguiu (Período de 200 anos). Ele com certeza mudou os rumos da música clássica e abriu as portas para uma outra realidade musical, muito mais intensa e profunda.

Abraço a todos,

John Blanch


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SESSÃO DO LEITOR

Silvio Jr
: Dizer que a música programática nasceu com a Pastoral? Por que isso? E também depois que li novamente sobre o Beethoven lembrei de outro detalhe: Será que dizer que Beethoven estudou seriamente com Haydn não pode soar estranho? Vários musicólogos consideram esse fato "irrelevante" na vida de Beethoven...

Resposta: Silvio, sobre a música programática e Beethoven: como coloquei escrito no meu texto, isso é uma mera curiosidade. Acredito que a Sinfonia Pastoral realmente foi a precursora da música programática. Sempre ouvi dizer que ela foi a primeira obra que deu títulos que nos fazem "imaginar coisas" quando a ouvimos (música descritiva) e além disso nunca ouvi nenhuma obra composta antes da Pastoral que é totalmente descritiva.
Sobre Beethoven e Haydn: Beethoven de fato teve aulas com Haydn. A primeira fase do compositor tem MUITO da influência do classicismo de Haydn e Mozart. Além de Beethoven idolatrar os quartetos de Haydn, ele tocava viola em orquestras e era muito comum ele ter contato com a literatura musical mais importante e fundamental da época (principalmente as sinfonias de Haydn!) e apesar do gênio ter estudado relativamente pouco tempo com Haydn, é óbvio que a influencia de Haydn não foi feita apenas nas suas aulas. Em toda sua vida ele inspirou-se em compositores como Haydn, Mozart e no fim de sua vida ele vai ainda mais longe, a Haendel e a Bach (mesmo assim, nunca abandonando a conexão com Mozart e Haydn).

Uma frase interessante de Tovey: O estilo inicial de Beethoven releva que ele “multiplicou os recursos de Mozart pelos de Haydn”.

Como eu poderia passar “batido” do fato de que Beethoven chegou a estudar com Haydn? (A meu ver, isso não é nada irrelevante...)

John Blanch

5 comentários:

  1. Ótimo post....realmente, você está de parabéns..

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  2. Paulo Andrade (Ubatuba-SP)7 de maio de 2010 17:32

    Que maraviha é este blog! Parabéns!

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  3. A 2ª sinfonia é a que eu menos gosto de Beethoven; justamente porque eu lembro pouco dele quando a escuto. Talvez ela tenha maior complexidade sim que a 1ª, mas o "caráter" dela me lembra muito mais Mozart do que Beethoven, o que eu já não percebo na 1ª. Certos críticos dizem que Beethoven não está "presente" na 1ª sinfonia; é verdade que o primeiro movimento lembra as sinfonias de Haydn. Porém, discordo quanto a essa ausência da presença de Beethoven na obra. Para mim, é na 2ª sinfonia que ele está ausente.

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    1. Que? Beethoven ausente na 2ª sinfonia? que estoria é essa?

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  4. Olá, pode me passar a fonte que usou para obter os aspectos historicos da composição. Grata.

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