terça-feira, 8 de junho de 2010

Nova Visão - Sinfonia n.6 em Si menor Op.74 "Patética" - Tchaikovsky

Sugestão de análise enviada pelo leitor Yul Otani e votada pelos leitores do blog
Participe também e envie o nome de 5 obras para análise para o email:
contato.johnblanch@gmail.com
--------------------------------------------------------------------------------- 
Sinfonia n.6 em Si menor Op.74 "Pathétique"(1893)
Piotr Ilich Tchaikovsky (1840 - 1893)
P.I Tchaikovsky

O grande compositor russo Peter Tchaikovsky, conseguiu liberar toda sua miséria e angústia através de sua última grande obra sinfônica, que resultou em um prelúdio consciente de uma alma conturbada prestes a cometer o suicídio. A sinfonia n.6 em Si menor op.74 “Patética” é considerada a obra do compositor com idéias musicais mais maduras, que narram, através da sinfonia, uma vida cheia de emoções e sentimentos profundos – A tristeza e desilusão acompanhada da esperança; a felicidade maculada e o amor seguido do desespero – Apesar de tudo, existe ainda algo sombrio que parece tomar conta de toda a sinfonia: a morte.

A estréia da Sinfonia, regida pelo próprio compositor, teve uma recepção muito fria tanto dos músicos quanto da platéia. Diferentemente das formas tradicionais da época, a sinfonia quebrou com os conceitos comuns e parte do público não gostou do final da sinfonia considerando-a “inacabada” (Tchaikovsky tinha inovado com a substituição de um imponente "allegro” por um lento "adágio" que termina em pppp dos cellos).

Segundo relatos dos músicos, a fraqueza da estréia deve-se também ao temperamento de Tchaikovsky, que não é considerado o ideal de um bom regente. Devido ao seu humor delicado e sua dramática insegurança, ele foi afetado pela frieza inicial dos músicos de São Petersburgo, fazendo com que todo o seu entusiasmo fosse destruído, deixando-o deprimido. O fato é que nove dias após a curiosa estréia da sinfonia o compositor estava morto. Acidente? Suicídio?  (Leia o texto que fiz sobre o mistério da morte do compositor, que serve como introdução para essa análise)

Na sua estréia, a obra chamava-se “Sinfonia programática”, mas o compositor deu-se conta que iria encorajar curiosidade sobre o significado do programa, o qual ele fazia questão de esconder.  Seu irmão sugeriu então o subtítulo “Patética”, que tem origem na palavra grega “Pathos” e significa paixão, excesso, catástrofe, passividade e sofrimento. Quando a Sinfonia “Patética” já estava sendo publicada, Tchaikovsky enviou uma carta para o seu editor dizendo que queria colocar também uma pequena dedicatória “Para Vladimir Davidov, composto por P.T” mas como estava muito em cima da hora, o editor ignorou o pedido.

Como o próprio Tchaikovsky declarou para seu amigo Rimsky-Korsakov que a sua sinfonia tinha um programa escondido que ele não tinha intenção de divulgar, muitos musicólogos afirmam que a sinfonia conta a história de sua própria vida e alma. Já que ela foi dedicada à seu sobrinho Vladimir Davidov,  podemos acreditar que a música encarna também a angústia do amor sem contrapartida tornando-se um conflito entre uma paixão platônica e os desejos da carne entre dois homens (representado pelos temas românticos) e os ataques hostis do mundo (representadas pelas passagens agitadas). É importante lembrar que esse era sempre um dilema espiritual formulado pelos românticos, principalmente quando se tratava do homossexualismo, proibido na época.

A sinfonia, a meu ver, é a história da vida de Tchaikovsky, contada por ele mesmo. Devido a isso, ela acontece a maior parte do tempo em sua cabeça, através de suas lembranças. O único momento onde sentimos que trata-se do presente é no adágio inicial e no adágio final. 

Leitura de uma carta que Tchaikovsky enviou à seu irmão falando de sua sinfonia:
 Narração: John Blanch Música de fundo: Abertura "Romeu e Julieta" de Tchaikovsky
------------------------------------------------------------------------

1ºMovimento - Adágio - Allegro non troppo
“A primeira parte tem que ser impulsiva, apaixonante, confiante – Deve ser curto (O fim: morte – resultado do colapso”   (Rascunho de P.I Tchaikovsky antes de compor a sinfonia)
Parte 1
Parte 2

O primeiro movimento representa claramente as lutas constantes de Tchaikovsky durante toda a sua vida tentando superar seus sentimentos homossexuais. Tchaikovsky era obcecado pelo destino sempre dizendo que ele o condenava.

 “O destino é a força fatal que impede nossa esperança e alegria de serem realizados, e que assiste e vigia enciumado para comprovar que a nossa felicidade nunca é completa.” (P.I. Tchaikovsky)

 Esse sentimento descrito acima parece preencher essa sinfonia. Repare que o primeiro movimento usa muitos motivos descendentes que são associados pelo próprio compositor, como representação do destino. O movimento possui  a forma sonata tradicional, porém devido a sua complexidade  ajudarei os leitores do blog a identificá-los a seguir:

Tema da "Crucificação"
Introdução (Compasso 1 ao 18): (00:00)A música começa silenciosamente com um lento e grave solo de fagote acompanhado pelo obscuro e sombrio “divisi” descendente dos contrabaixos. Esse obscuro tema da introdução (considerada como referência à patética de Beethoven) é formado basicamente por apenas quatro notas e é cercado de uma sensação fúnebre, que será a base para todo o primeiro movimento e principalmente para o primeiro tema.  Essas quatro notas, além de serem chamadas de “tema da crucificação” devido a sua localização no pentagrama (veja a foto acima), poderiam ser considerados como a tradução sonora da palavra russa “pomoghite”, que significa “me ajude/socorro!”

Essa introdução, a meu ver, representa Tchaikovsky em seu leito de morte fazendo um tremendo esforço para contar a verdadeira história de sua vida para seu irmão Modest, a história a qual ele fez questão de esconder a todos. O fagote, na verdade, é o próprio Tchaikovsky e as figuras descendentes dos contrabaixos, como disse no começo do post, representa o destino. O fagote, sem muita força tenta começar a contar sua história, mas não tem nem forças e nem ânimo para chegar até o fim. (00:37)As violas tentam ajudá-lo a continuar, mas ele não consegue falar. (00:58)O exausto fagote reúne suas forças para começar outra vez sua história, mas novamente, ele não consegue (01:20) e acaba desistindo. (01:29)O anúncio das trompas criam um novo ambiente um pouco mais sereno e claro, onde o tema não é mais feito pelo fagote e sim pelo oboé e o clarinete, que evocam, talvez, os pensamentos de Tchaikovsky. Ele pode estar muito cansado para falar, mas não para imaginar a história de sua vida.


Exposição
-Tema 1 - (Compasso 19 ao 88):
(02:15)Diferentemente de suas últimas sinfonias (4 e 5), o primeiro tema é composto praticamente pela mesma melodia da introdução, porém dessa vez muito mais intensa e inquieta. Tchaikovsky está retratando o ambiente do passado, principalmente o caráter psicológico ao seu redor. (03:08) O destino (escalas descendentes) começa a dialogar com boa parte da orquestra e apesar do início ser até considerado calmo, os violinos entram em diálogo com os cellos e sopros (03:21) e o ambiente começa a mudar. Aos poucos a intensidade sonora aumenta gradativamente com a introdução de novos elementos, como por exemplo, (03:57)os anúncios dos metais (uma reminiscência do majestoso tema da 4ª sinfonia?). As anacruses e as melodias bastante talhadas entre todos os diferentes instrumentos da orquestra dão um efeito bastante transtornado. O incrível desse tema, é que ele pode ser tocado ao mesmo tempo com quase todas as outras partes e Tchaikovsky aproveita para moldar o segundo tema apartir disso . (04:02) Após o auge do tema, uma passagem de viola(04:38) leva para a próximo tema.
(Reparem que em geral, o tema lembra bastante o começo do 4º quadro do segundo ato da ópera "Dama de Pico" de Tchaikovsky)

-Tema 2 - (Compasso 89 ao 160):
(04:57)Agora, o ambiente muda completamente e temos aqui o tema da paixão (que na verdade, é uma transformação da ária da ópera favorita de Tchaikovsky: “A flor de Dom José” de Carmen). É o amor a primeira vista, a paixão platônica e nesse caso: um amor impossível.  Tchaikovsky, sem dúvida, conhece pela primeira vez na obra esse sentimento indescritível através dessa atmosfera calma e serene. Tudo é como sonho e o mundo à sua volta parece não existir.

(05:59)Uma passagem feita pelas escalas ascendentes da flauta e fagote em tercínas acompanhado pelos stacattos das cordas contradiz o destino (escala descendente) criando uma duelo interior entre o destino e o amor. Essa passagem nos sugere também o desdobrar de um amor, isto é, o passar do tempo, o compartilhamento de experiências, vivendo emoções juntos, etc...

(07:24)Em seguida voltamos para o tema da paixão, porém dessa vez, muito mais intenso representando o amor ao extremo. (08:20) O fabuloso episódio despede-se e a música desaparece a cada compasso. As lembranças do amor estão se distanciando cada vez mais e após o tema da paixão feito pelo clarinete (09:13)em pppppp, o fagote dá um último suspiro*: (10:00)Tchaikovsky, por um momento, abre seus olhos, voltando ao presente e a realidade.

*Na gravação que disponibilizei aos leitores, o maestro Charles Dutoit substituiu a última parte do fagote pela continuação do clarinete (Uma sábia escolha, provavelmente para que o vibrato do fagotista "gardel" não destrua o momento especial criado pelo clarinete)

Desenvolvimento  (Compasso 161 ao 268)
(00:14 parte 2)O silêncio é drasticamente interrompido e a sua paixão é massacrada pelo surpreendente fortíssimo do tutti orquestral representando a negação da sociedade diante sua homossexualidade. O tema da “crucificação” (tema n.1),  é tocado agora de maneira mais viva e intensa. (00:29)Uma espécie de fuga é feita e uma modulação começa. Tchaikovsky está revoltado e uma sensação de raiva e os acordes trágicos vão crescendo e ficando mais agitados e dramáticos a cada compasso.(00:59) Os metais anunciam novamente uma passagem descendente que lembram também, mesmo que vagamente, um motivo já feito anteriormente.

  (01:19) No último momento, por um breve instante, ele consegue conter essa emoção, resultando em um tema feito pelos metais baseado em um réquiem russo, que tem como letra “Oh Cristo, dê paz à alma para que ela repouse entre os santos”. Os metais fazem o papel de oradores de um funeral (Após a estréia da sinfonia, Tchaikovsky misteriosamente morreu, e foi exatamente isso que os ouvintes buscaram na segunda apresentação: uma prova de que essa música não era apenas uma sinfonia, mas talvez uma carta suicida do próprio compositor). (01:54)Logo após um momento relativamente pacífico, Tchaikovsky não consegue simplesmente aceitar e esquecer todo esse seu sentimento profundo que parece remoer seus órgãos internos.

(02:09)Reparem que curioso: essa passagem vai evoluir e é considerada tanto com a reexposição do primeiro tema quanto o caminho que leva ao clímax do desenvolvimento(03:11). Ela é considerada por muitos musicólogos como o momento auge da carreira artística de Tchaikovsky.

Reexposição (Compasso 244+- ao 334)
Ele precisa colocar tudo para fora e apesar de alguns momentos de negação e receio tudo acaba explodindo em um tormento dramático (03:46) onde o compositor mostra toda sua amargura, decepção, angústia e martírio. “Por quê?! Por quê?!”. O destino é cruel e parece saborear cada momento de agonia e dor do compositor.

(04:30) Quando os últimos vestígios da morte e de um ambiente violento e agressivo parecem desaparecer, o segundo tema (da paixão) (04:52) eventualmente emerge das profundezas do desgosto e da exaustão, porém, dessa vez, de forma mais completa. Tchaikovsky não pode fazer mais nada em relação ao seu amor, apenas resgatar o passado através de suas torturantes recordações tentando trazer esse sonho para a trágica realidade.

Coda (Compasso 335 - 354)
(07:38)O movimento termina com uma calma e solene coda feito com o tema da paixão invertido, feito por um coral de metais e em seguida pelos sopros, acompanhados sempre de um pizzicato descendente dos baixos (A representação do destino saindo virotioso, destruiu o momento dos dois e virando a paixão de cabeça para baixo?).  O que podemos afirmar é que neses momento Tchaikovsky responde o discurso feito pela missa dos mortos no desenvolvimento e acaba a primeira parte da sinfonia com a morte, anunciada pelos trompetes.


   2ºMovimento - Allegro con grazia

Tchaikovsky disse que o segundo movimento representa o amor e apesar de ser muito mais simples que o primeiro movimento, é uma das mais originais e sedutoras valsas em forma A-B-A com um tempo 5/4 não convencional e assimétrico (Possivelmente um retrato da sua agitação psicológica), muito comum na música popular russa.
Essa valsa foi composta de uma maneira tão sutil que por incrível que pareça poucos sentem “falta” do último tempo (são 5 tempos por compasso: 2 + 3 seguido de 3 +2). Tchaikovsky  já havia testado esse mesmo ritmo, por exemplo, em sua "Valsa de cinco tempos" das 18 peças para piano op.72.

Primeiro grupo (A)
(00:00)A música começa com o charmoso e inocente tema feito pelos cellos e com uma fluência surpreendentemente natural (chamarei de tema A). (00:18) Em seguida o mesmo tema é feito pelos sopros e acompanhado pelos cellos, que fazem praticamente a mesma coisa, porém de forma invertida. (00:34)Isso se repete e logo em seguida a melodia é enriquecida com a entrada dos metais(01:06). A música começa a crescer e ficar mais intensa, mas apesar disso, nenhum grande clímax é atingido. (02:13)Uma breve passagem, decrescente serve como passagem para a próxima sessão.

Trio (B)
(02:21)Um novo obscuro e ameaçador elemento é introduzido (tema B¹) e a sua tonalidade menor cria um caráter atormentado que lembra bastante o primeiro movimento. A assimetria é agora facilmente identificada talvez graças à nota pedal do tímpano e dos baixos. Esse tema é uma citação ligeiramente modificada de uma canção popular Estoniana chamada “Kallis Mari” (querida Maria). Tchaikovsky estaria fazendo referências à Maria, mãe de Deus, para representar em sua música a figura eterna de sua mãe, que morreu quando o compositor ainda era criança? (02:55)O tema B², um pouco “vivo” e animado inicia-se e é repetido (03:12), logo é seguido do lamento do tema B¹(03:29)e de uma pequena coda, que serve de passagem para a próxima sessão.

Primeiro grupo (A)
(04:16)O apaixonante tema A volta novamente com as cordas e em seguida sopros(04:32) exatamente como no começo do movimento. (06:05) É incrível ver como Tchaikovsky transforma uma simples escala melódica em genialidade: Repare que os baixos fazem a escala de Ré maior ascendente enquanto os sopros fazem a mesma escala descendente, porém mais lenta. A razão e a emoção finalmente encontram-se e com a tonalidade maior restabelecida e somos levados à coda do movimento, que usa fragmentos dos temas, acabando o movimento de forma bastante abstrata como uma névoa cobrindo as lembranças do passado.


   3ºMovimento - Allegro molto vivace

O terceiro movimento é um Scherzo feito para representar as decepções do compositor. Todo o movimento possui um caráter festivo, feroz e extremamente irônico devido à tentativa tão prolongada de busca pela felicidade que acabou resultando talvez na futilidade. O que impõe respeito nesse movimento não é a simplesmente sua melodia, mas sim a sua intensidade, que aos poucos começa a tornar-se obsessiva e ameaçadora, levando conseqüentemente à uma magnificente catástrofe. (Sempre contrapondo 12/8 e 4/4 que resulta em um efeito de “tercinas” no 12/8 contra as simples colcheias no 4/4).

(00:00)As cordas, através de um belo contraponto em moto perpétuo, servem como introdução para o primeiro e principal motivo do movimento, feito silenciosamente pelo oboé(00:13). Uma cavalgada de outro mundo parece se aproximar. Esse tema pode parecer um pouco estranho, pois não estávamos esperando intervalos de quartas ascendentes. (Nosso ouvidos espera talvez um tema com notas do acorde ou de uma da escala...mas não quartas ascendentes!). A música começa relativamente tranqüila, porém com uma agitação interior bem grande as pessoas começam a responder os comandos de Tchaikovsky.

(01:16)Após um atraente crescendo, o tema volta novamente feito pelo oboé (01:42), porém mais quieto, que vai transformar-se em uma marcha com extremo vigor e "stress". Essa melancólica marcha pode não ser considerada completamente militar, está aí o toque de ironia (principalmente pois sua harmonia é bastante simples e em grande se resume basicamente tônica e subdominante). (05:32)Eventualmente o batalhão orquestral entra no tutti orquestra fazendo a terra tremer com seus passos, reforçado pelo coral dos metais que gritam saudações. A bandeira voa pelo céu e o momento é triunfante. Salve Czar?! (06:52)O tímpano e os metais entraram na fúria exuberante e incoerente que resultará na destruição. O majestoso final nos faz perguntar se tudo isso não se tratou apenas de uma grande ironia à realidade política e social da época  e também deixa a impressão que a sinfonia terminou, gerando algumas vezes entre o público aplausos espontâneos.

  4ºMovimento - Adágio lamentoso

A marcha acabou e o destino e a morte nos espera nesse movimento. Desde o começo, eles nos aguardavam. Não temos como escapar. A música vai finalmente retornar para a profundeza nebulosa do pathos e o choro angustiado sem esperança do compositor vai reinar até o seu último suspiro de vida.

Abraço a todos,

John Blanch
(Twitter / Formspring / Site / Email)

---------------------------------------------------------------------------------
Gravações:
1ºmovimento - Charles Dutoit e N-K-you Orchestra - gravação ao vivo 
2ºmovimento - Valery Gergiev e NHK Symphony Orchestra - gravação ao vivo
3ºmovimento - Herbert Von Karajan e Berlin Philarmonich Orchestra
4ºmovimento - Charles Dutoit e N-K-you Orchestra - gravação ao vivo

Partitura orquestral em PDF:
1ºmovimento - clique aqui
2ºmovimento - clique aqui
3ºmovimento - clique aqui
4ºmovimento - clique aqui

---------------------------------------------------------------------------------

7 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Muito boa pesquisa e análise sobre a peça. Eu já ouvi ela milhares de vezes essa sinfonia, mas nunca tinha entendido o motivo de se chamar patética, e nem seu primeiro movimento, e finalmente li (ou ouvi, no caso) a famosa carta mandada a seu irmão sobre a sinfonia. Sempre gostei muito da atmosfera fúnebre que a sinfinia sempre gira em torno, Tchaikovsky sempre foi muito bom em dar atmosferas a música. Até o terceiro movimento, adorei a contradição: "um Scherzo feito para representar as decepções do compositor".

    Ah, só a título de curiosidade: quando vi que a nova visão estava sendo terminada e revista e vi que só faltava o quarto movimento, logo pensei: "vixe, vai vir o maior post da década sobre música erudita", fiquei muito surpreso quando vi que num era tanta coisa...

    Matheus Antônio da Silva

    ResponderExcluir
  3. Acredito que alcançaste com perfeição o tom confessional dessa peça ímpar, corolário daquele considero, junto a Beethoven, Brahms Mahler e Mozart, um dos maiores edifícios sinfônicos da histórica da música.

    Sem sombra de dúvida o primeiro tempo é um poema sinfônico, decerto a obra-prima de Tschaikowsky.

    ResponderExcluir
  4. Bela Obra. Bela Análise.

    ResponderExcluir
  5. Estava colhendo informações sobre a Estônia e me deparei com o seu maravilhoso post. Parabéns. Visitarei Haapsala só por causa de Tchaikovski, onde ele se inspirou (um pouco) para compor a Patética. Seu blog já está nos favoritos para futuras visitas.

    ResponderExcluir
  6. Excelente análise acerca da profundidade da sexta e última sinfonia do Tchaikovsky. Alguns musicólogos esnobam o trabalho do Tchaikovsky pelo fato de o mesmo não ter se aprofundado na teoria musical, como fizeram Bach, Mozart e Beethoven. Bobagem. A obra de Tchaikovsky é muito rica. O caráter nacionalista, a aflição pelo drama da homossexualidade mal resolvida e a polifonia de seu trabalho brinda o ouvinte com uma obra prima equiparável aos grandes do movimento romântico, como Brahms e Dvorak, seus contemporâneos.

    ResponderExcluir
  7. Perfeita análise da obra, mas faltou a cereja do bolo.........o Adagio Lamentoso.

    Quanto às referências das gravações, sugiro, não muito fácil de achar, a leitura de Euvgene Mavrinski à frente da Filarmônica de Leningrado.

    ResponderExcluir